Os entraves na construção do monumento Santa Paulina

Sob o título "União para a construção do monumento de Santa Paulina", recebi essa matéria da assessoria de imprensa da prefeitura, quando, então, resolvi colocar no ar a enquete acerca do assunto.

Dizia o texto:
Por solicitação do Prefeito Beto Martins foi realizada nesta quinta-feira (17) reunião com a Associação dos Peregrinos de Santa Paulina, que tem como Presidente Camilo Damázio, a Associação Santa Paulina que é coordenada pelo Padre José Eduardo Bittencourt e o Secretário da 19º Secretaria Regional de Laguna, Mauro Candemil, para discutir sobre a construção do monumento da Santa Paulina no município.

O maior monumento religioso do mundo, que terá 45 metros, será construído na altura do popularmente conhecido Morro da Antena. O recurso para a construção do mesmo, que já está assegurado pelo Governo do Estado (o pedido foi feito pessoalmente pelo prefeito Beto Martins ao governador Luiz Henrique da Silveira, no ano passado), deverá ser iniciado após as devidas licenças ambientais, estas que na reunião ficou acordado serão solicitadas pela Associação dos Peregrinos de Santa Paulina.

Ainda no encontro ficou definido que a Associação dos Peregrinos de Santa Paulina irá conduzir a construção do monumento do artista Marcelo Francalacci, e a Associação de Santa Paulina irá administrar a estrutura, após sua conclusão, prevista para julho de 2010.

Estiveram também presentes na reunião a diretora da SDR, Valmira Sebold Branco; o gerente de cultura, esporte e turismo, Antônio Avelino Honorato; o secretário de articulação política, Cadir Cargnin; o controlador geral do município, Gean Fermino; o procurador, Zulmar de Oliveira; o secretário de turismo, Antônio Clésio; o coronel Jarí Dalbosco e o advogado Raul Orleans.
Leitores, pelo que foi divulgado na imprensa, a obra custará aos cofres públicos, estadual e municipal, a quantia de R$ 700 mil.

Muitas discussões já aconteceram em razão dessa disputa entre as duas associações mencionadas, numa queda de braços para ver quem ficaria com a incumbência de administrar a obra. Creio eu que, se não houvesse tanto dinheiro para isso, não haveria tanta gente interessada em ajudar a erguer a santinha.

Numa das entrevistas na Rádio Difusora, o radialista Manoel Martins perguntou sobre a discórdia que estava havendo entre as duas associações, mas Camilo respondia, repetidamente, que só tinha amor no seu coração, e nada mais falou sobre o embate entre ele e o padre Eduardo, presidente da outra associação. Este por sua vez, em outro programa radiofônico, na mesma emissora, não escondia a indignação em ter de concorrer com outra entidade. Padre Eduardo parecia querer dizer algo mais nos microfones, mas não se permitia a isso.

Para quem acompanha as publicações dos comentários dos leitores deste blog, constatou que um leitor teria afirmado que encaminharia ao Tribunal de Contas do Estado reclamação para que a Associação dos Peregrinos não pudesse receber o dinheiro para a construção da obra, pois ela foi declarada de utilidade pública em desacordo com a legislação municipal. Segundo o leitor autor do comentário, a associação não teria preenchido os requisitos necessários para receber tal declaração.
Explicando ao leitor, caso não saiba, uma associação só pode receber dinheiro público se for declarada como sendo uma entidade de utilidade pública.

Um fato que me chamou a atenção na matéria encaminhada pela assessoria de imprensa da prefeitura é que "as devidas licenças ambientais (...) serão solicitadas pela Associação dos Peregrinos".
Segundo informações que obtive, essa associação não poderia requerer tais licenças, pois não é a proprietária da área onde será construído o monumento Santa Paulina.
E, de acordo com a legislação, segundo a pessoa que me passou as informações técnicas, o monumento precisa ser considerado de utilidade pública, para poder ser construído em área de preservação ambiental.
Mais ainda. Como a área pertence à família Catão, será necessária a doação ou desapropriação da área. Tudo necessitando de lei para isso, que até agora, se não estou enganado, nada há.

Sem dúvida alguma, o monumento, se for concluído, injetará dinheiro no município, via turismo religioso, que é o que se pretende. Mas, conforme já questionou Manoel Martins, como chegar ao topo do Morro das Antenas, se a estrada que leva ao local sempre está em más condições de trafegabilidade?

Diante de todos esses problemas, os fiéis terão que rezar muito para ver o monumento construído.

24 comentários:

  1. Pena,
    Voce já pensou como a cidade está sem definiçao da vocaçao turistica?
    - Capital da Baleia Franca
    - Terra do Milagre
    - Sede do WTC
    - Sede de uma das baias mais belas do mundo
    No fim... fica tudo como está...

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  2. R$ 700.000,00 (Setecentos Mil), para o Hospital ou para a saúde Seria muito melhor!

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  3. Será que Imbituba está preparada para esse tipo de turismo também?
    A cidade foi abençoada pela natureza com belas praias, com a presença das Baleias, com uma das mais belas baias do mundo, belas lagoas, como diz o comentário acima, e o turismo não alavanca, só fazem propaganda enganosa.
    Uma cidade que falta dinheiro para saúde, educação, casas populares, pavimentação de ruas, creches, etc., etc., etc.,
    Será mais uma obra esquecida no alto do morro, quem viver verá.

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  4. Sobre o primeiro comentário. Não conheço os números econômicos desse turismo de baleiras. Sei que há muito dinheiro público envolvido, que vão para os caixas das entidades que vivem da preservação da baleia.
    Esse negócio de Terra do Milagre, também não vejo retorno econômico, até agora, além de propaganda. Não acredito nesse fato de baía mais linda do mundo.
    De tudo isso que você falou, de concreto só o WCT.

    Sobre o segundo comentário, concordo que R$ 700 mil, hoje, seria muito mais importante ao hospital. Penso que não seria o momento de se investir nessa linha de turismo religioso.

    Obrigado pelas opiniões.

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  5. MOACIR FREITAS DA ROSAjulho 29, 2009

    Caro Pena Digital,
    Tenho acompanhado pela imprensa a disputa pela administração dos recursos para construção do Monumento de Santa Paulina, mas desconheço a existência de um projeto de viabilidade técnica englobando toda as etapas do projeto e a infraestrutura. Foi estimada a relação custo/benefício deste projeto para a população do Município? Vi até agora uma maquete eletrônica do monumento.
    O acesso ao monumento será pavimentado ou não? Alguém calculou o custo da pavimentação de uma via com aquelas características numa extensão em torno de 2 km com declividade tão acentuada?
    Para um monumento deste porte imagina-se que haverá um grande fluxo de visitante. Onde foi planejada a implantação do estacionamento dos ônibus e automóveis.
    Alguém discutiu como ficará esteticamente uma construção com 45 metros de altura, equivalente a um edifício de 16 andares num morro com 250 metros? O Cristo Redentor mede 38 metros de altura implantado no Corcovado que mede 710 metros em relação ao mar. E notem que é imponente na paisagem carioca.
    Amábile Lúcia era de família humilde e começa sua caminhada cuidando de doentes pobres. Será que Madre Paulina ficaria feliz com tanto dinheiro público empregado num MONUMENTO “FARAÔNICO”? TENHO CERTEZA QUE REPROVARIA.
    Este projeto deve ser mais discutido à luz da lógica e da razão.
    Atenciosamente,
    Moacir Freitas da Rosa - Eng. Civil

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  6. Moacir, é excelente ouvir a opinião técnica de quem conhece a matéria.
    Eu até pensei em escrever sobre alguns pontos que você comentou, mas o texto ficaria muito extenso. E melhor que não tenha falado, pois assim pude receber sua opinião aqui.
    Concordo completamente com seus argumentos. Acredito que seria mais fácil se se "esticasse um arame com um bondinho, do morro do farol ao Morro do Mirim" (música Se eu fosse prefeito de Imbituba)

    Moacir, espero que seja mesmo você e não algum leitor que tenha usado seu nome.

    Muito obrigado por sua participação.

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  7. MOACIR FREITAS DA ROSAjulho 29, 2009

    ....E faria uma piscina na Lagoa da Bomba....
    Fui eu que escrevi o comentário acima, sim, para ver se contribuo para mudar esta discussão emocional.... MADRE PAULINA ROGAI POR NÓS.... pobres mortais....

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  8. Nó no Nójulho 29, 2009

    Caro pena, faz um enquete com os leitores deste blog com as opções sim ou não, e veremos se realmente o povo quer este monumento.
    O Engº Moacir tem toda razão, construir um monumento desse porte sem fazer um estudo mais detalhado e jogar dinheiro públio fora, morro acima.

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  9. Moacir, obrigado mais uma vez por sua participação, pois ela é muito importante nesse debate, principalmente vindo de quem já foi vereador e vice-prefeito.

    "Nó no Nó", quando coloquei as opções na enquete, pensei que eram suficientes. A 5a. opção seria para o leitor que fosse contrário à obra. Para quem é favorável, haveria outras opções nesse sentido, e até deixei de forma que pudessem votar em mais de uma opção, para melhor defender seu posicionamento.

    A títutlo de orientação, sugiro aos leitores que possuem conta de email do gmail, e que queiram se identificar, que escolham na caixa "comentar com:" a opção "conta google". Assim, quando o leitor clicar em "postar comentário", abrirá uma janela para informar o login e a senha do gmail. Dessa forma, o leitor será identificado no próprio comentário e eu saberei que quando alguém postar com aquele nome, não será alguém que está usando o nome de outra pessoa.

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  10. Melhor dar o dinheiro pro hospital. Todos na rua estão achando a maior perda de tempo este assunto da construção faraônica.

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  11. Leitor(a), embora eu acredite que uma grande parte da população não seja favorável à construção do monumento, não é possível, porém, afirmar que "todos" acham "perda de tempo".
    Convide seus amigos a participar da enquete deste blog, pois é o único local em que a população pode dar sua opinião sobre a construção do monumento.

    Obrigado por sua visita.

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  12. Ao leitor que postou um comentário no dia 03/08:

    Não pude publicar seu comentário porque o teor trazia acusações sem provas. É comum vermos nos noticiários informações sobre corrupção envolvendo empreiteiras, mas não se pode afirmar que em todos os contratos há "superfaturamento" e "comissão". Se há suspeitas, isso deverá ser levado ao Ministério Público.
    Um dos fatos citados por você, pelo que eu saiba, já é alvo de investigação do Ministério Público e Tribunal de Contas.

    Obrigado por sua participação.

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  13. Malu Brasilagosto 12, 2009

    Tenho lido muito a respeito do assunto e concordo em gênero, número e grau com os participantes anônimos e com nomes.
    Só para complementar as informações e os comentários do Moacir, como mulher de engenheiro civil, sei que uma obra, no final, custa quase o dobro do que foi calculada. Assim foi com a nossa própria casa. Bem que se diz que santo de casa não faz milagre. Faz mesmo não!
    Então, não seriam 700 mil pra esse monumento, seriam no mínimo, no mínimo, 1 milhão. E considerando todas os levantamentos aqui, do que é necessário ainda ser feito para se chegar ao topo do morro... podem multiplicar os cálculos iniciais por três que a grana ainda não vai dar! O Cristo Redentor foi feito com dinheiro arrecadado (leiam aqui http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070207114705AAJklr3). Queria só saber se os "pró-construção" também estão preparados para arcar com as despesas. Gastar dinheiro que outros suaram para ganhar, também eu sei (perguntem ao meu marido. hihihi).

    Pelo que sei, no Brasil, Igreja e Estado são coisas totalmente separadas e se os católicos querem um tal monumento (êta mania de grandeza às custas dos outros!) que o financiem! Peçam ao Cardeal Ratzinger - ups, desculpem, Papa Benedikt (no Brasil, Papa Bento, não sei porque até o nome do homem mudam), a Igreja é muito rica.
    Como foi dito aqui, a Madre Paulina era pessoa humilde, com certeza preferiria que o dinheiro público fosse usado em causas mais "terrestres" pois desses, temos certeza.
    Para os adeptos do turismo religioso, conheço uma expressão: quem dança em muitos bailes, acaba perdendo o melhor da festa.
    Por que não escolhem 1 ou 2 temas, a ver com o mar e com o esporte, e não se especializam nisso? Deixem o turismo religioso para Aparecida do Norte (imaginem se Aparecida resolvesse ganhar uns trocados por fora organizando um festival da cachaça, corrida de cachorro e touradas?). Gente, como se diz aqui na Alemanha, vamos deixar a igreja na aldeia! Para quem não entendeu há uma outra: sapateiro, fique no seu ofício!
    Desculpem o ataque desavergonhadamente direto mas isso é mal de brasileiro: não se concentra em nada, cisca aqui, ali e acolá e, no final, fica mais perdido que cego em tiroteio.
    Um anônimo perguntou se Imbituba também estaria preparada para esse tipo de turismo. Tá não! Digo isso como turista que - estive aí em dezembro/2008 - pra achar um lugarzinho menos fuleiro pra comer teve que rodar a cidade de cabo a rabo. A cidade não tem estrutura pra esse e nem pra outros tipos de turismo! Cadê os especialistas?

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  14. Os próprios governos ainda não se tocaram que nosso país é laico e não podem ficar gastando dinheiro com monumentos religiosos.
    Como você comentou, que se busque dinheiro privado para a construção e não público.

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  15. ... outro ponto para ser analizado pelo povo Imbitubense e aos católicos é o porque 45 metros???
    Será que querem fazer uma homenagem a Santa Paulina e ao partido do Prefeito atual!??
    Não consigo entender a ligação do número 45 com a Santa Paulina!

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  16. Leitor(a), essa foi boa!!! Pela primeira vez eu ri de um comentário. Realmente, muito interessante sua observação. Eu não havia observado essa coincidência.

    Obrigado por sua participação.

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  17. Sempre respeitei muito o Moacir pela sua franqueza e sua inteligência, e começo a admirar mais após ler o que ele colocou sobre a "questão da santa".
    Foi abordado pontos básicos que passaram despercebidos por mim, fazendo mudar em partes minha opinião com relação ao projeto.

    Alisson Raniere - Imbituba.

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  18. Alisson, os argumentos de Moacir também eram ignorados por mim. E com certeza pela quase totalidade da população. As informações prestadas por ele contribuíram para que eu mantivesse minha posição contrária ao monumento.

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  19. Sempre passo o verão em Imbituba. Gostaria de dizer que acho de profundo mau gosto monumentos deste tipo. São esteticamente feios, bregas, equivocados em seus propósitos básicos, e por sua onipresença afrontam quem não acredita nessas coisas. No mínimo acho estranho pensar em progresso de uma comunidade a partir da adoração dessas imagens gigantescas.

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  20. Victor, eu não vejo o monumento - que agora deram o nome de Santuário à Santa Paulina -, como uma imagem que será adorada. Eu, que venho de uma família que segue dedicadamente os ensinamentos católicos, sei que aos católicos modernos não é ensinado a adoração de imagens. O que vejo nessa construção é a falta de sensibilidade no trato da Igreja e do Estado para com o povo. Ficamos em segundo plano. Sei que muitas coisas são feitas na cidade sem consultar à população, mas, a maioria, coisas pequenas, faz parte das obrigações cotidianas de governos municipais, que não precisam do "consentimento" do povo.
    No caso em questão, porém, trata-se de uma obra desnecessária, na qual serão gastos milhões de reais, com a bênção da Igreja e o dinheiro do Estado.

    Obrigado por sua participação.

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  21. Senhores,

    não existe uma outra área, com menos "litígios" e com um preço mais real para efetuar-se a construção deste monumento?

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  22. Ao leitor que enviou comentário ao blog posicionando-se contra o gasto de dinheiro público na construção do monumento, informo que seu comentário não foi publicado porque não foram observadas todas as regras para comentar. Leia as regras expostas acima da caixa de comentário e envie um email para o blog complementando seu comentário. Cumpridas as regras, seu comentário será publicado.

    Aguardo.

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  23. Quem deveria bancar a construção da obra em homenagem a madre Paulina, é a igreja católica e seus fiéis, não toda a população. Como ficam as outras religiões. Se todas cismarem em edificar estátuas ou símbolos? Terão o mesmo tratamento por parte do poder público?

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  24. Estácio, a mesma dúvida que você abordou foi ventilada por por mim no artigo "Câmara de Imbituba: primeira sessão ordinária", publicada no dia 04/02/09. Acesse o link http://migre.me/4ioiK.

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