O principal problema do país é a desigualdade de poder

Por Roberto Motta*

Caro leitor, o principal problema do país é a desigualdade, sim, mas a desigualdade de poder. A desigualdade "econômica" é mera consequência. Aqui existem pessoas que podem tudo, e outras que não possuem os direitos mais básicos. É essa a desigualdade que importa.

A lei que vale para o cidadão comum não é a mesma lei que vale para um desembargador, um ministro, um deputado, um banqueiro, um milionário ou até mesmo um chefão do tráfico de drogas.

Roberto Motta
Nas aulas para estrangeiros eu explico que no Brasil a lei não funciona para proteger o cidadão. "O que funciona então?", me perguntam. "Relacionamentos", eu respondo. O velho QI: quem indica. Ou o famoso "você sabe com quem está falando?". Vale o poder.

O Brasil está cheio de pessoas que ganham a vida orbitando em volta dos poderosos. Ser amigo de um Pedro Barusco vale mais que uma vida inteira de estudo e trabalho.

Leia também: O Brasil é governado por derrotados

Para o poder tudo é possível. Nosso "Estado de Direito" não resiste à força e à sedução dos poderosos. Tribunais, Congresso, mídia, agências reguladoras e a própria independência dos poderes nada representam diante da força de quem tem as chaves do Estado. Tudo é maleável, influenciável, adiável ao infinito.

Tudo está à venda.

Um mandato eletivo não significa a oportunidade - e a honra - de representar os interesses da sociedade. É apenas um passaporte para o enriquecimento rápido. Um cargo de secretário de estado, por exemplo, não vai para o mais competente, mas para aquele com o melhor esquema de manipulação da máquina pública.

Como diz o sociólogo Gert Hofstede, o poder cria sua própria justificativa. Nada demonstra isso tão bem quanto o juiz que é flagrado desviando dinheiro e é punido com aposentadoria antecipada ganhando 30 mil reais por mês, para o resto da vida.

Essa é a desigualdade que interessa.

Tudo o mais é tolice, mentira, cortina de fumaça.

(*Roberto Motta é engenheiro, escritor, empresário e professor. Seus interesses são política, literatura, tecnologia, economia e tudo relacionado com o mar.)

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