A escola pública atual: o pior lugar para aprender no Brasil! - parte I

Filho de família humilde, estudei em escola pública a minha vida inteira, à exceção do período que, sem dinheiro, lancei-me na FESSC (hoje UNISUL) até conseguir o velho "crédito educativo" para poder concluir o meu primeiro curso universitário.

No meu tempo de menino, estudei na Escola Deputado Joaquim Ramos, no bairro Paes Leme, em uma época que professor falava e aluno ouvia. Nos dias em que indisciplina resultava em punições, como ficar atrás da porta e até levar puxão de orelha. Não lembro de ninguém que foi punido sem motivo. Sobrevivi sem sequelas, sem qualquer problema psicológico ou trauma de qualquer espécie, para espanto de muitos psicólogos e suas teorias contrárias a isso.

Naquela época, professor não faltava às aulas e se empenhava em lecionar, embora seus salários fossem muito piores que os de hoje. Meus pais, assim como a maioria dos pais de meus colegas, exigiam dos filhos assiduidade e boas notas, ainda que para isso tivessem que recorrer às varas e aos cintos. A reclamação dos professores eram atentamente ouvidas por esses pais, que endureciam a disciplina em casa, se fosse necessário.

Não existiam greves de professores. Como também não havia merenda. Não havia material escolar, passes de ônibus, nem uniformes gratuitos. Para minha sorte - ou azar - meu pai era empregado da "grandiosa" Indústria Cerâmica Imbituba - essa aí que agora está falida -, a qual, por muitos anos, "doava" aos seus empregados inúmeros cadernos, lápis, uma ou outra caneta, régua e uma caixa de lápis de cor.
A falta de recursos econômicos fez com que eu desse valor ao que se consegue com o trabalho honesto. E a educação rígida recebida no seio familiar ensinou-me a ser uma pessoa íntegra e valorizar e respeitar quem tivesse bom caráter. E as dificuldades vividas não me levaram ao mundo do crime ou das drogas, como muitos costumam justificar seus descaminhos. E começar a trabalhar com 14 anos não foi obstáculo para continuar estudando.

Hoje, a escola pública não passa de um amontoado de crianças expostas a uma educação sem qualidade,  salas com excesso de alunos confiados a teorias e programas educacionais que se mostram inúteis, gerenciados por uma legião de políticos corruptos ou sem qualquer comprometimento com o futuro, salvo raros casos. Adicione-se a esses problemas dos estudantes a fragmentação da célula familiar, num cenário que nunca se viu antes.

Se atualmente se recomenda que as crianças devam ficar o dia inteiro em uma sala de aula, para melhor aprender, acredito que isso, no Brasil, não passa de um genocídio de mentes, diante de uma educação falida com professores despreparados, escolas dirigidas por apadrinhados políticos e indisciplina estudantil beirando o caos, que, por consequência, gera essa insegurança que há nos estabelecimentos de ensino atuais (alunos portando e usando facas e armas de fogo, por exemplo).

E vou esclarecer um pouco as minhas severas críticas.
Boa parte dos professores não sabe ler ou escrever, satisfatoriamente. Quantos professores sabem mesmo o que estão lecionando? Quais deles têm consciência da importância social de seu trabalho?

Cursos superiores para formar professores estão em penca por aí! Muitos professores estudaram em cursos supletivos. Esses cursinhos existentes que servem apenas para expedir um certificado de conclusão, tudo pago com dinheiro público. Ou alguém vai me dizer que se aprende tanto quanto num curso normal de Ensino Fundamental ou Médio, se nestes já pouco se aprende?

Aí, o indivíduo, depois de não querer estudar enquanto podia, enquanto tinha todo o tempo do mundo, decide por "fazê o supletivo". Agora, "tá formado". E vai cursar uma faculdade a distância. E depois, graduado, vai lecionar. Vai "ensinar" nossos filhos, leitores! Ensinar o quê?
Isso não passa de um círculo vicioso! Um emburrecimento contínuo e gradativo!

Evidentemente que o problema não está apenas nos professores. Está no sistema. Está na questão social. Está na deterioração dos valores mais basilares da sociedade. Está na desagregação familiar. Está no que se apresenta diariamente nas telenovelas e noutros programas de TV. No que se publica nos jornais financiados com dinheiro público.
O que esperar de uma população que efetua mais de 70 milhões de ligações telefônicas pagas para decidir, no big brother, quem representa melhor a cara do cidadão brasileito para ganhar uma pequena fortuna? E a família inteira assiste a isso. Como se apresentassem a seus filhos os ídolos - ou heróis, como diz Pedro Bial - a serem seguidos.

A foto deste post encontrei na internet. Os questionamentos estampados nela devem mesmo ser debatidos. Quem são os verdadeiros culpados por essa falência da educação pública?

(Leia a parte II  deste tema. Clique aqui)

7 comentários:

  1. Pena, parabéns pela postagem. Creio ser uma das melhores que já li aqui. Com relação ao teor dela, em parte concordo, em parte discordo. Conheci dois tipos de escola, a pública e a particular. Estudei de primeira a quarta sério na escola adventista Hugo Cirelly, aqui mesmo em Imbituba, e após isso fui pra rede pública de ensino. De cara a diferença na qualidade de ensino e empenho dos professores é visível, algo berrante. Durante meus 4 anos no colégio adventista não ouviamos falar em política, nas salas de aula, nem sequer a educação era tendenciosa pro lado religioso. Era um ambiente limpo, imparcial, onde o desenvolvimento do aluno se dava de forma natural, motivado pelo interesse em aprender. Após essa maravilhosa fase veio as escolas públicas. Na minha primeira semana na escola Gracinda Augusta Machado, em Nova Brasilia pude experimentar toda forma de cretinagem possível de ser cometida por professores. No primeiro mês houve greve e quando as aulas retornaram só ouviamos nas salas de aulas os professores falarem mau do governo, criticar a política econômica da atual gestão estadual, dizer que ICC era um cancêr em nossa cidade e que precisava ser fechada. Até vídeo de manifestações de preguiçosos de esquerda fomos obrigados a assistir, sim, obrigados, pois após o lixo televisionado tivemos uma prova valendo nota. A educação dada pelo estado está minada desses "profetas do inferno" camuflados de professores. Isso em parte contribui para a péssima qualidade no ensino. Outro fator muito importante é a familia, que acha que a escola tem obrigação de dar educação e boas maneiras ao aluno, a coisa também não é nem assim. Esse tipo de educação vem de casa. Políticas de proteção a criança e ao adolescente também ajudam a transformar crianças em marginais, pois em nosso país não é permitido criança de 14 anos trabalhar. Enfim Pena, é um saco. A gente quanto mais conhece o sistema mais frustrado fica em achar uma solução, pois o povo em geral, infelizmente não quer enxergar o óbvio. A filosofia de hoje é: O que importa é o diploma, conhecimento é de menos (ou melhor, de "menas" como já ouvi uma pedagoga falar). Viva Karl Marx, ele conseguiu.

    Alisson Raniere Berkenbrock
    Imbituba SC.

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  2. Nó no Nóabril 13, 2010

    Esse assunto é muito interessante e raramente é abordado em jornais e rádios da região. Este blog está de parabéns pela postagem. Não são só as escolas públicas que são ruins, as particulares também, só que menos ruins que as públicas. O blog Educaforum mostra um estudo que os alunos da nossa elite que estudam em escolas particulares têm desempenho educacional pior do que os mais pobres das escolas públicas dos países desenvolvidos. Casos típicos nas escolas públicas e que atrapalham na aprendizagem dos alunos é o tal “tapa buraco” da professora que fica de licença durante vários meses, ou daquele que falta várias vezes por mês, ou do professor que desistiu no meio do ano e os alunos são largado no pátio, na quadra ou nos corredores da escola, sem atividade nem supervisão. Nesse caso, mandam um professor substituto, despreparado para dar essas aulas. O baixo investimento nas escolas públicas, um aluno na escola pública sai mais barato do que o valor da mensalidade na escola particular, contribui para o modelo atrasado no ensino no Brasil. É uma bola neve, paga-se mal os professores, ensina-se mal e aprende-se muito pouco.

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  3. Nó no Nó, favor enviar-me o link sobre esse estudo de desempenho entre a escola pública e a particular. Procurei no blog que você citou, mas não encontrei. Gostaria de ler.

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  4. Nó no Nóabril 13, 2010

    O link é http://educaforum.blogspot.com/2007/11/escola-pblica-x-particular.html e http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/index_011107.shtml

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  5. Parabéns pela postagem, vc tem razão em tudo , alias todos os que escreveram estão de parabéns...Nada acrescentar.

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  6. Discordo quanto aos professores. Há bons e há ruins. Há muitos com mestrado, formados nas UNESPs e USPs da vida. Para o mim, o problema está no currículo. A proposta curricular não exige do professor sólidos conhecimentos na disciplina que ele ministra. O que é exigido, ao contrário, é a habilidade em lidar com as DIFERENÇAS, ou seja, que o professor esteja apto a ensinar uma turma de alunos que apresentam diferentes graus de dificuldade de aprendizagem. Assim, é exigido uma boa didática, uma habilidade em treinar "habilidades e competências". Você não precisa saber muito da tua disciplina; você precisa saber COMO vai ensinar a mesma coisa para alunos com graus diferentes de dificuldade de aprendizagem. Sou prof. de Sociologia. O que tenho que ensinar? Direitos dos alunos: ECA, Lei Maria da Penha, anti-racismo, anti-hemofobia. O aluno "cresce" na sala de aula: se você grita com ele, ele grita com você. Se você chama atenção dele, ele vem em cima de você. Ele ameaça de morte a diretora da escola e depois, quando você anota isso no caderno, ele também de ameaça de te processar por "calúnia". E ri na tua cara.

    Então eu ensino Sociologia para ter um aluno contra o próprio professor.

    CELULARES: a maioria não tem o comer em casa, mas vão à escola com celulares e tablets de até 5 mil reais. Os papais e mamães compram, e quando é chamada a atenção do aluno, o pai vai à escola perguntar "o que tem de errado o meu filho"?

    O crime não compensa!

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    1. Evidentemente que há bons e ruins. Como em todas as profissões. Só que o Ensino Fundamental, o principal na minha opinião, carece de bons professores. E num ponto você concordou comigo: "A proposta curricular não exige do professor sólidos conhecimentos na disciplina que ele ministra." E eu escrevi: Quantos professores sabem mesmo o que estão lecionando?
      Se você diz que sua disciplina de Sociologia ensina o aluno a ficar contra o próprio professor, você pode não estar sabendo o que está ensinando.

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